192. Listas de 2013 (Parte III): Livros

Uma das minhas metas para o ano era de ler 12 livros. Sei que não é um número considerado ideal, mas levando em consideração o pouco tempo livre que tive este ano, um livro por mês já me deixou satisfeito. Isso, claro, considerando cada um dos três volumes de “A Divina Comédia” como um livro separado. Mas também deve se considerar que li livros bem grandes. Aliás, o maior livro que eu já li foi neste ano (“Under The Dome”, com 879 páginas). Segue abaixo a lista dos doze com uma micro-resenha e uma citação de cada um (sem ordem de preferência).

01“Os Filhos dos Dias” (Eduardo Galeano)

O escritor uruguaio elaborou um livro em forma de calendário. Para cada dia do ano, um evento marcante, contando parte da história da sociedade. Afinal, como ele mesmo diz, somos feitos de átomos, mas também somos feitos de histórias. Entre as páginas encontram-se fatos sobre a Inquisição, escravidão, ditaduras, a origem do Natal etc… Com certeza um dos melhores que eu li não só neste ano, mas em todos os anos.

“26 de Julho. Hoje é o Dia Contra a Tortura.
No exílio recebi uma carta anônima:
‘É foda mentir, e é foda se acostumar a mentir.
Mas pior que mentir é ensinar a mentir.
Eu tenho três filhos.'”

02“Uncharted: O Quarto Labirinto” (Christopher Golden)

Baseado na série de sucesso do videogame, o livro segue o aventureiro Nathan Drake em um busca dos tesouros do labirinto mitológico de Creta (aquele do Minotauro). Para que não conhece os games, Uncharted é uma mistura de Indiana Jones com Lara Croft e o livro pegou emprestado alguns elementos do Robert Langdon no que diz respeito a seguir pistas e símbolos antigos. A história até tinha tudo para ser boa (e talvez em um jogo de videogame funcione muito bem), mas o livro parece que não tem
uma continuidade. Os personagens estão em um lugar e do nada já aparecem em outro…

“As pessoas desistem de muita coisa para ter o paraíso.”

03“Filosofia de Botequim” (Matt Lawrence)

Filosofia e cerveja. Um mistura perfeita. O livro reúne 48 questões filosóficas para serem discutidas em bares para quem quiser dar a impressão de ser intelectual. E para cada uma delas é indicada uma cerveja exótica de diferentes lugares do mundo (não, não tem nenhuma brazuca na lista). O bom desse livro é que, além de nos deixar com vontade de beber as cervejas, ele também explica a Filosofia de uma maneira bem prática, simples e didática e lança algumas questões bem bacanas para se pensar. Muitas das minhas aulas desse ano saíram dessas páginas.

“Você pode ser um Yeti perambulando por alguma montanha do Himalaia, sonhando que é um ser humano?”

04 05 06“A Divina Comédia” (Dante Alighieri)

Sejamos francos. Eu talvez não esteja preparado para uma leitura como esta. Li os três volumes e confesso que só consegui entender com o auxílio das observações do tradutor antes e depois de cada canto. A escrita rebuscada de Dante do século XVI é bem complicada de se entender. Também é complicado ver que na mentalidade da época o Hemisfério Sul era apenas um grande oceano e o centro do mundo era Jerusalém.

Inferno: No primeiro livro o poeta encontra uma espécie de portal em Jerusalém que o leva para o interior do planeta, onde ficam as almas dos maiores pecadores. Lá, guiado por Virgílio, ele encontra as almas de alguns papas, reis, e também alguns traidores, como Judas. O Inferno é dividido em vários níveis de profundidade e quando mais profundo, maiores são os pecados. No último nível se encontra Lúcifer, com três cabeças, de quem Dante consegue escapar e chegar até o próximo passo de sua jornada.

“Deixai toda esperança, ó vós que entrais.”

Purgatório: O lugar onde almas se arrependem de seus pecados antes de irem para o Paraíso é uma montanha que se ergue do contro do Oceano do Hemisfério Sul (!). As almas sobem a montanha pagando penitências que incluem carregar pedras pesadas nas costas e ter os olhos costurados, por exemplo. No topo da montanha, Virgílio se separa de Dante e este fica na companhia de Beatriz (sua esposa) que o guiará por um lugar mais agradável.

“O mundo é cego, e tu vens exatamente dele.”

Paraíso: O Céu Celestial é, literalmente, o céu, que se alcança do topo da montanha do livro anterior. Aqui ficam as almas dos justos e bons divididas em vários círculos de estrelas. De relance, nos últimos cantos, Dante consegue enxergar Deus, que se apresenta como uma grande luz que guia todo o firmamento do Universo (o Sol?).

“Ó eterna Luz que repousas só em ti; a Ti só entendes e, por Ti entendida, respondes ao amor que te sorri!”

07“Inferno” (Dan Brown)

Seguindo o estilo, o já conhecido Robert Langdon está agora encarregado de impedir que um doido varrido transforme o mundo inteiro em um verdadeiro Inferno de Dante. Talvez, de todos, os livros do simbologista, este seja o que tem o final mais original. A história envolve um vírus misterioso, a Organização Mundial da Saúde, teoria malthusiana e claro, Langdon correndo contra o tempo ao lado de uma mulher e fugindo da bandidagem.


“Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.”

08“O Silêncio das Montanhas” (Khaled Hosseini)

Mais uma vez o escritor afegão mostra o drama vivido pelas crianças no Oriente Médio o que inclui, óbvio, terrorismo e fanatismo religioso. O livro tem como eixo principal a história de dois irmãos (Pari e Abdullah) que são separados ainda na infância. O bom dos livros do Hosseini é que ele nos mostra um Afeganistão diferente do que estamos acostumados a ver nos noticiários. O ruim é que ele praticamente nos faz chorar, pois em cada capítulo tem uma criança sofrendo de alguma forma diferente.


“A beleza é uma dádiva imensa e imerecida, distribuída aleatória e estupidamente.”


09“O Lado Bom da Vida”
(Matthew Quick)

Um excelente livro que deu origem a um filme bem meia boca. Desde as primeiras páginas é impossível não gostar da história de Pat Peoples, o professor que ficou quatro anos em uma clínica psiquiátrica e sai destinado a recuperar sua vida de volta, o inclui o amor da sua esposa Nikki. Pat não sabe os motivos que o levaram à clínica e à medida em que ele vai montando esse quebra-cabeça na sua memória, ele decide a ver sempre o lado bom de todas as coisas. Um dos motivos que tornam esse livro tão bom é que ele é contado do ponto de vista do Pat, ou seja, o leitor compartilha com ele os momentos bons e ruins, as crises familiares e a
paixão pelos Eagles.

“Você precisa saber que são suas ações que fazem de você uma boa pessoa, não sua vontade.”

10“Under The Dome” (“Sob a Redoma”) (Stephen King)

Minha primeira leitura em inglês! Comecei a ler embalado pelo seriado. E logo nas primeiras páginas deu para perceber que a série é completamente diferente do livro. Personagens que no livro estão mortos assumem posição de destaque na série. Bom, King dispensa apresentações. É um dos reis do suspense. Nesta obra ele nos apresenta à população de Chester’s Mill, no Maine, que do nada se vê presa por uma redoma que envolve toda a cidade. Ninguém entra. Ninguém sai. E ninguém sabe de onde aquela coisa veio. E também não adianta seguir a ideia do Homer Simpson de passar por baixo, pois ela é completamente fechada. Entretanto, o ponto principal aqui não é quem trouxe a redoma, mas sim o que acontece com uma sociedade que se vê completamente isolada do restante do planeta (não é à toa que eu li comparações da série com “Lost”). Temos aqueles que querem salvar o mundo e temos aqueles que querem apenas o poder sobre a cidade. Mas no fim das contas, todos não passamos de formigas em um grande formigueiro, de acordo com o autor.

“God turned out to be a bunch of bad little kids playing interstellar Xbox. Isn’t that funny?”
(“Deus se revelou um bando de crianças malvadas que jogam um Xbox interestelar. Não é engraçado?”)

11“O Videogame do Rei” (Ricardo Silvestrin)

O escritor gaúcho (que inclusive visitou o CADOP neste ano) escreveu um livro com uma história simples e direta. Um reino atual onde o rei controla tudo como se fosse um videogame, possibilitando, inclusive, que ele e seus ministros tenham várias “vidas”. Até que um dia as coisas começam a “travar”. Em poucas páginas esse livro explica tudo o que Karl Marx tentou dizer em uma vida inteira sobre a luta de classes. E ainda tem espaço para várias questões de Sociologia e Filosofia, como política, diferença de
gêneros, dilemas morais etc.

“Nos porões do castelo real, a festa continuava. Orgias, sexo livre, bebedeiras. A criadagem nem ligava para o que viria a acontecer. Enquanto pudessem aproveitar, lá estariam.”

12“Morte Súbita” (J. K. Rowling)

Depois do fim de Harry Potter, a Jotaká até tentou partir para a literatura adulta, mas não conseguiu obter 100% de sucesso. Ainda bem. No pacato vilarejo de Pagford, onde os adultos disputam a vaga do Conselho Distrital deixada em aberto após a morte súbita de Barry Fairbrother, quem se destaca são as crianças. A guerra pelo poder político é apenas um plano de fundo para a verdadeira história do livro: o relacionamento perturbado entre pais e filhos na sociedade. Negligência, autoritarismo e decepções vão fazer com que os adolescentes – e o Fantasma de Barry Fairbrother – tomem decisões que mudarão o rumo de todo o vilarejo.

“Ficaria aliviada se São Miguel descesse do seu vitral reluzente e viesse julgá-los a todos, decretando exatamente qual era a sua parcela de culpa naquelas mortes, naquelas vidas destruídas, naquele caos…”

Publicado em 17 de janeiro de 2014, em Literatura. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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