148. Sobre a greve

Ontem a tarde o Gigantinho foi palco de uma assembleia de professores (a primeira desde que eu comecei a atuar na área). E o principal ponto a ser discutido era a possibilidade de ser realizada uma greve nas escolas estaduais a partir da próxima semana. A maioria dos professores presentes votou a favor da greve a partir desta segunda-feira. A escola em que eu trabalho – o CADOP – já havia se manifestado a favor da paralisação caso a assembleia decidisse parar, o que significa que as aulas na escola estão suspensas por tempo indeterminado.

É claro que uma greve no final do ano letivo não é boa para ninguém, nem para alunos, nem para professores e muito menos para a sociedade. Mas infelizmente essa é a única maneira que temos para lutar pelos nossos direitos. Há algumas semanas estávamos discutindo na aula de Sociologia se a sociedade deve agir por conta própria ou esperar que o governo resolva todos os problemas. Juntos, chegamos à conclusão de que devemos agir independentemente, caso contrário nossos direitos nunca serão garantidos e o governo vai cada vez mais controlando a sociedade. Pois então, é basicamente isso que os professores estão fazendo, embora aos olhos do restante da sociedade, os grevistas são vilões inescrupolosos que estão impedindo as férias e o veraneio dos estudantes e seus familiares…

Vale destacar que o que está em jogo, principalmente, são duas coisas:

1. A reestruturação do Ensino Médio, que inclui aumento da carga horária, mas contraditoriamente, a diminuição dos períodos de várias disciplinas. Matemática no terceiro ano, por exemplo, ficaria com apenas um período semanal. O restante da carga horária ficaria a cargo de projetos e estágios. Apesar de o governo chamar de “proposta”, o nome correto seria “imposição”, uma vez que os professores não foram consultados durante a elaboração do projeto e não há a possibilidade de alterações ou sugestões da categoria. De acordo com essa ideia, o aluno formado em escola pública fica mais longe do ensino superior, já que não terá o preparo suficiente para uma prova de vestibular.

2. O pagamento do piso nacional do magistério, ou seja o cumprimento de uma lei que já existe mas que não é cumprida pelo governo estadual. Ao contrário do que muitos pensam, não é um aumento que os professores estão pedindo. Teoricamente este aumento já foi dado, já é lei, mas não é cumprida pelo governo.

Eu sinceramente acredito que esta greve não vai durar muito tempo. Em relação ao Ensino Médio, o atual governador já foi Ministro da Educação, então não vai demorar para perceber que as mudanças não são tão boas assim.
E em relação ao piso, o Rio Grande do Sul possui o quarto maior PIB do Brasil. É estranho um estado com essa característica afirmar que não possui dinheiro para pagar um salário de R$ 1.187,00 para os professores.

A greve está lançada, agora é esperar que os resultados saiam logo, a fim de garantir os direitos dos professores, assegurar uma educação de qualidade e não prejudicar os alunos do ano letivo de 2011.

Publicado em 19 de novembro de 2011, em Sala de Aula. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Pois, tu sabe que eu concordo contigo. Acho que não há dúvidas sobre o motivo da greve. O único ponto que eu tenho uma visão diferente (e olha que venho de uma família de professores) é que, se a greve fosse feita após o término / início do ano letivo, o resultado também pode ser atingido.

    Não sou contra a greve. Aliás, sou muito favorável. Achoq ue todos os professores deveriam ter condições de viajar, ir no cinema, teatro, comprar livros… se atualizar e estarem sempre informados para fornecer o melhor para a população. INfelizmente não é assim. E a fraca aderência da greve até o momento, mostra essa mesma dúvida entre os próprios professores.

    Acho que após o término do ano, o que valeria é uma atitude drástica. Do simples: por esse preço, não haverão professores em 2012. Afinal, não existe certo ou errado exatamente porque não há momento BOM pra greve. Greve sempre é algo ruim no aspecto social. E um ciclo sem fim até que alguém tome uma atitude realmente drástica.

    Mas isso, é papo pra buteco.

    :c)

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