140. Tchau, Kadafi

Os recentes confrontos nos países de cultura islâmica chamam a atenção para o fato de que a população já não aguenta mais os regimes ditatoriais e a privação imposta pelo islamismo. A sociedade está mudando. Ou se desenvolvendo, como alguns preferem dizer. E é natural que a cultura mude junto com o processo.

Primeiro foi Zine el-Abidine Ben Ali, presidente da Tunísia desde 1987, que saiu do poder em janeiro deste ano após um levante popular. Em seguida foi a vez de Hosni Mubarak, que renunciou o cargo de presidente do Egito em fevereiro, após 30 anos no poder. A partir daí, foi uma questão de tempo até que a queda dos dois presidentes servisse de exemplo para que outro país tomasse o rumo da chamada “Primavera Árabe”. Era a vez da Líbia.

Muamar Kadafi, que governa a Líbia desde 1969 começou a sentir a pressão popular ainda nos primeiros meses de 2011. E, pelo que tudo indica, a queda do ditador está mais próxima do que nunca, apesar das notícias incertas veiculadas pela mídia internacional.

Em um primeiro momento, é preciso analisar os motivos das manifestações. Até porque não teria problema em ter o mesmo presidente por tanto tempo se tudo estivesse correndo bem nestes países. Mas não estava. Na verdade cada país possui suas próprias razões para manifestar, mas todos se encontram em uma característica em comum: o regime concentrado nos países árabes é opressor, onde a opinião pública é completamente inútil diante das decisões tomadas pelos governantes.

Nos últimos anos, com o advento da internet e, principalmente, das redes sociais – visto a importância que o twitter vem recebendo para a manifestação de opiniões – os jovens do Oriente Médio estão aprendendo mais sobre o mundo fora de seus países. A partir daí, junte uma população revoltada com o sistema autoritário e que não possui direitos e nem liberdade de expressão e pronto. A pressão popular é suficientemente grande a ponto de derrubar os ditadores.

Por fim, ficam duas questões a serem pensadas. Primeiramente, que tipo de governo vai se instalar nestes países politicamente frágeis e de uma população enfraquecida após as revoltas? Podem surgir “novas Cubas”, onde uma ditadura foi substituída por outra ditadura. Ok, alguns vão dizer que em Cuba as coisas dão certo, pois então que se mudem para lá… E, por fim, o mundo precisa aprender a conviver com um novo Oriente Médio, em que aquela visão dos ‘árabes que não questionam sua cultura’ chegou ao fim. A história está mudando e precisamos nos acostumar com isso.

Pra finalizar: Que o próximo seja o presidente do Irã…

Publicado em 23 de agosto de 2011, em Geografia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: