136. Sobre ateus e agnósticos

Falar de religião com certeza é um assunto complicado na nossa sociedade. A gente tem que medir muito bem as palavras, pois nunca se sabe quem a gente pode acabar ofendendo com um comentário que, a princípio, nem parece tão ofensivo.

Antes de seguir com o post, quero falar um pouco sobre a minha conduta religiosa. Eu cresci em uma família totalmente católica, o que significa que eu fui batizado e incentivado a fazer crisma e primeira comunhão. Mais tarde, por vontade própria eu decidi fazer parte de alguns grupos de jovens da igreja.

Ali pelos 17 anos eu comecei a estudar mais as questões sociais e acreditar menos nas religiões. Ao contrário de muitas pessoas, a minha [falta de] fé não foi abalada por alguma tragédia ou falecimento na família. Eu simplesmente comecei a questionar mais antes de engolir tudo que a igreja dizia como sendo correto. Até que, mais recentemente, a minha ideologia agnosticista veio a se confirmar.

Vale lembrar aqui que o agnóstico não é exatamente um ateu, mas sim aquele cara que acha que a possível existência de deus [com letra minúscula mesmo] é algo que está longe de ser confirmado e adotado como algo certo para o mundo todo.

Pois bem, depois de tanto ‘blá blá blá’, vamos ao assunto que eu vim para falar. Há alguns dias atrás eu li a notícia de que Porto Alegre receberia alguns outdoors de propagandas que visam diminuir o preconceito com os ateus e agnósticos. Um deles [figura a seguir] mostra Chaplin e Hitler, como um ateu e um cristão. Não é preciso ser nenhum expert para saber que Chaplin era apenas uma pessoa que levou alegria aos outros através da arte enquanto que Hitler comandou o assassinato de milhares de judeus.

Se por todos os lugares que vamos damos de cara com cartazes de religiões que operam milagres, é claro que os ateus também têm o direito de se manifestar. Só que sinceramente eu nunca presenciei nenhum caso de preconceito contra ateus. Até porque são pessoas que não saem por aí espalhando aos quatro ventos que não acreditam em deus. Ao contrário de crentes que batem de porta em porta tentando convencer a todos de algo que nem eles mesmos entendem por completo.

No entanto, vale lembrar que os cartazes de Porto Alegre já eram para estar circulando desde o ano passado, e só ficaram engavetados por pressão da igreja católica.

Outra coisa: Os cartazes foram elaborados pela ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos). Na minha opinião, a partir do momento que um grupo cria uma associação para difundir uma ideia, não chega a se tornar uma religião, mas já se torna algo semelhante ao que eles criticam.

Agora a pouco eu estava finalizando minha aula de Ensino Religioso de amanhã para uma turma de segundo ano (ensino médio). Ao contrário do planejamento de muitos professores, eu fugi dos temas comuns desta aula (amizade, namoro, drogas etc) e resolvi falar sobre o conflito religioso na Faixa de Gaza. Um tema denso, sim, mas uma prova de que religião não é sinônimo de ética ou respeito. É curioso ver que dois grupos diferentes saem para matar uns aos outros. E ambos têm deus ao lado deles…

Publicado em 12 de julho de 2011, em Divagações. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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