125. Biutiful

No último ano eu me mantive um pouco afastado do cinema mais “alternativo” e dediquei a maior parte do meu pouco tempo livre para as mega-produções estadunidenses. Tentando recuperar o tempo perdido, hoje fui ao cinema para assistir ao novo filme do Alejandro González Iñárritu – o mesmo cara que dirigiu dois filmes que admiro muito: “Amores Brutos” e “Babel”.

“Biutiful” – que em inglês significa ‘lindo’ e ‘bonito’ – é escrito de forma errada e indica uma apropriação da língua estrangeira, já que a trama se passa em Barcelona. Além disso, o significado da tradução parece ser contraditório com as sequências que presenciamos no filme. Ao contrário dos outros trabalhos de Iñárritu, agora não há uma fato central ligando tramas distintas com personagens distantes. Há apenas um personagem central, Uxbal, e sua luta para mudar em dois meses a sua estrutura familiar e social.

Morando na periferia de Barcelona, Uxbal atua como mediador entre policiais e criminosos em um esquema de exploração de imigrantes ilegais na Europa. Chineses trabalham o dia inteiro confeccionando bolsas e discos piratas enquanto senegaleses vendem os produtos nos camelôs do centro da cidade. Além de possuir um péssimo relacionamento com a ex-mulher bipolar e cuidar sozinho do casal de filhos. Ao descobrir que está com câncer terminal, o personagem precisa agora preparar consertar certos erros e garantir o futuro dos filhos.

Na falta das tramas paralelas, temos agora personagens secundários, que, no decorrer do roteiro, acabam perdendo destaque e muitos não chegam a ganhar um desfecho convincente. Entretanto, “Biutiful” merece ser assistido pelas suas críticas sociais e políticas. A decadência da sociedade é mostrada através dos olhares de diversos personagens e fatos. A política de imigração, exploração de mão-de-obra barata e o suborno pago aos policiais que fazem ‘vista grossa’ ao que vêem nas ruas de Barcelona servem para mostrar que a Europa – e principalmente a Espanha – não é um paraíso para estrangeiros como muitos pensam. Um filme real, simples e marcante. Eu recomendo!

Publicado em 22 de janeiro de 2011, em Cinema. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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