89. Caim

O fato de um ateu como José Saramago escrever um livro com um plano de fundo bíblico é, no mínimo, curioso e merece atenção. O texto inicia com a criação do mundo tal qual como está no livro de Gênesis, mas o autor aqui resolve dar tons sarcásticos e irônicos, que muitas pessoas poderão, inclusive, compreender como blasfêmias.

 Passado o episódio do pecado original, presenciamos o assassinato de Abel por parte de seu irmão Caim, ambos filhos de Adão e Eva. A partir daí, a sagrada escritura é distorcida por parte do autor e observamos Caim percorrer os principais acontecimentos do antigo testamento, porém, sem uma ordem cronológica linear.

 A leitura é extremamente agradável e ao longo de 172 páginas somos apresentados a um deus (assim mesmo, em letras minúsculas) bem diferente daquele propagado por padres e pastores, do tipo violento, rancoroso e manipulador. E após presenciar todas estas diferentes manifestações é que Caim parte em busca de sua vingança com o criador.

 O mais interessante do livro é justamente estas indagações que o autor provoca sobre o que realmente é a personalidade que a sociedade está acostumada a chamar de “deus” e que somos obrigados, geração após geração, a engolir goela abaixo como uma verdade única e incontestável (e ai de quem ousar pensar diferente) e por que ela se manifesta de maneiras tão diferentes no antigo e novo testamento. o_O

KORN
“Alone I Break”

Publicado em 26 de dezembro de 2009, em Literatura. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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